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 Ninakat ©

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ninakat



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MensagemAssunto: Ninakat ©   Seg Out 13, 2008 10:55 pm

Mini-fic

A Camisa Preta






O mundo estava a chamar-me. E gritava: Vive! Mas isso era algo que não me apetecia de todo fazer. Estava sempre a sorrir, de um modo feliz e era inegável que houvesse qualquer tipo de dor dentro de mim. Mas o que aconteceria se essa felicidade se tornasse dor? Que essa felicidade nunca tinha sido na verdade felicidade? O que aconteceria era que eu fosse considerada uma mentirosa. E é isso que eu sou, uma mentirosa.

Mentirosa.

Todo este tempo, eu estive a mentir, porque não havia qualquer tipo de felicidade dentro de mim. Eu tantas vezes disse: Estou preparada! Não estava. E todas as noites chorava, lágrimas geladas que feriam mais que qualquer outra dor, porque não tinha coragem de chora-las há frente dos amigos, as pessoas que magoava tanto com a minha frieza quando se falava daquele assunto. Quando a visitavam, entravam num pranto de lágrimas e dizia palavras inúteis como “Ela não merecia isto”. Na verdade, não merecia. Jurei a mim mesma, nunca, mas nunca, chorar em frente dela, não queria ver mais as suas lágrimas por saber que iria morrer, sempre a sorrir, sempre, eu queria mesmo que estes últimos tempos fossem os melhores para ela. Sem lágrimas nem tristeza. E cumpri esta promessa, até ao último momento. Até ao seu último suspiro.

Ás vezes, pensei como teria sido se daquela vez, quando a médica lhe disse para fazer o exame, ela o tivesse feito. Talvez ela agora estivesse viva. Medo. Foi isso que ela sentiu quando a médica a deparou com aquela terrível hipótese, sentiu o medo e guardou-o para si, não queria preocupar-nos a nós por algo tão insignificante. Só que na verdade não era insignificante, e ela sabia disso. Foi crescendo dentro dela, crescendo, crescendo, aquele horrendo monstro, devorava-a lentamente, tão lentamente que não houve hipótese de nos apercebermos até há hora de ele se tornar mortífero. Simplesmente devoro-a sem piedade.

As dores que sentia, o cabelo que caia, o apagar precoce. Sempre estive ao pé dela com um sorriso esboçado, mesma até ela perder a visão e os seus olhos ficarem vidrados fixando sempre um ponto aleatório. Até ela gemer de dores na cama do hospital. Foi até tudo isso. Mas houve um dia, um dia que nunca mais esquecerei.

Quando entrei no Serviço de Internamento de Curta Duração, quando li essa frase, previ um futuro fácil de adivinhar. Eles sabem que é de curta duração, os médicos sabem que ela não restará por muito mais tempo, foi o que pensei imediatamente e, estava certa. Porque eu abri a porta e ouvi, os gemidos, a sua voz suplicante, era-me inconfundível, a voz dela. O seu quarto era no fundo do corredor, mas já ali, eu conseguia ouvir, os agora tornados gritos de dor. Foi doloroso e não posso negar isso. Mas quis conter as lágrimas mais uma vez, porque havia ali tanta gente e todos me observavam e olhavam-me com olhos de pena. Obrigado, mas não era preciso, a pena deles não me servia de nada, de nada. Eles disseram-me para ficar para ficar no corredor, enquanto a iam visitar. Deixei-os ir em frente, por momentos pensando estar a fazer certo. Mas naquele instante, tudo mudou, eles não mais estavam certos, pensavam que era uma criança medrosa? Que não sabia enfrentar as situações? Estavam enganados. Fui num andar apressado e espreitei pela porta, ela ali estava com a mascara de oxigénio, olhando fixa para o tecto, imóvel, de olhos vidrados. Gritava em desespero, talvez fosse o ar que lhe faltasse. Dessa vez eu chorei, porque não consegui suportar mais, afastei-me da porta e chorei, afastei-me para ela, apesar de não ser capaz de todo, não me sentir as lágrimas que corriam pela face enrubescida. Não sentir que eu estava a sofrer, por ela. Todos correram até mim e choraram comigo. Quando há segundos atrás eu julguei-me ser capaz, ali estava caída um canto, no pior momento, era vergonha que sentia, por estar ali a chorar, em frente de todos. Vergonha. E depois não me lembro muito bem do que se passou, mas “acordei” quando ouvia alguém dizer-me, “Foi só porque ela estava com falta de ar, agora está tudo bem”.

Nessa altura, decidi reconfortar-me com aquela miséria, porque talvez fosse a única coisa que me fizesse parar de chorar por momentos. No mesmo dia, quando comprei a camisa preta na loja da esquina, foi nesse dia que ela morreu. Morreu dentro de mim. Foi aí que eu senti a dor real da perda de alguém, a saudade, a sua falta e tudo o que se inclui no tema morte. Não chorei quando dias depois me disseram que ela finalmente tinha morrido, nem no funeral, nem quando o caixão era coberto de areia, porque não era ela que estava ali depois de eu comprar a camisa preta que usava no dia do funeral, era o monstro que a tinha consumido.

A minha avó morreu quando eu comprei aquela camisa preta. Uma noite sem lua nem estrelas, a fraca iluminação do candeeiro, o amontoado de roupa barata naquela pequena e velha loja de esquina, quando paguei cinco euros por ela, foi aí, que a minha avó morreu.

E foi aí que a guardei no meu coração para sempre.

Ninakat ©


Última edição por ninakat dia Ter Out 14, 2008 11:08 am, editado 1 vezes
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Rasec



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Ter Out 14, 2008 8:27 am

Um oneshot da ninakat!!! Alegria xD

Por outras palavras uma mini-fic dela!!!
Mini-fics FTW!!!

Bem como prometido aqui vai um comentário á lá Rasec.

A maioria do que vou dizer já sabes mas sempre fica aqui para a posteridade.

Foi a segunda melhor fic que já li até hoje simplesmente porque a história tocou-me de maneira especial. Medalha de prata, nada mal.

Erro e falhas sinceramente não as encontro e está claro que o teu jeitinho para meter a tal “magia” que agarra uma pessoa e a transmite algo especial ao ler a fic é mesmo de uma escritora num nível bem avançado como tu.
Não me venhas com as tretas que não és pró, porque és. xD

Acho que a fic ficaria bem se acabasse na altura em que escreves-te, “era o monstro que a tinha consumido.”, mas compreendo que a última parte faz a ligação com o título apesar de também desvendar para alguns mais perspicazes certas coisas e já falei de mais xP.

Comentário sobre o enredo e isso já te contei e até de mais por isso escuso de prolongar o post.

Já agora nada como um título que parece que não tem nada a ver com a fic em si. Original.

E já agora o “Ninakat ©” está altamente. Até copyright já pões. Para quando a marca registada da ninakat, era altamente. Ninakat ®, parece fixe.

E para acabar o oceano de palavras, seria fixe que mudasses o título para Ninakat mini-fics e começasses a fazer uma de vez em quando, embora já te deixe a ti e a mais duas mocinhas o legado das minhas mini-fics o que dará para entreter no futuro, deduzo. Mas pensa nisso.

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(Will all the bad stuff we go trough to have the love of the person we love stop one day?
And then we can have peace in our hearth and have her love?
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ninakat



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Ter Out 14, 2008 11:50 am

E que mais poderei dizer eu? Nada. xD
Obrigado. <3

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Maria
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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Ter Out 14, 2008 1:01 pm

Omfg *-* Ninakat, é a coisa mais bonita qe já li até hoje *-*
Tu tens mesmo jeito para escrita, uau, tá linda <3
Spoiler:
 


Parabéns, mais uma vez. ^^

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Fiby.chan



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Ter Out 14, 2008 6:05 pm

Está um espanto. <3 Mas eu já esperava, vida da minha querida sócia. :'D
Parabens. E concordo com o Rasec, era giro mais umas mini-fics tuas *____*

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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Qui Out 16, 2008 5:05 pm

Muitos Parabéns ninakat, a fic é muito profunda e prendeu-me do inicio ao fim como tu bem sabes fazer. xD
Escreves muito bem, bom trabalho.
Como muita gente , gostava muito de ler mais mini-fics tuas.

Obrigado e Parabéns pelo espantoso, fenomenal e lindo trabalho que fizeste por isso continua minha stôra ;)

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Thanks Miki =)
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Asuka



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Qui Out 16, 2008 5:11 pm

ta nice^^
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ninakat



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Qui Out 16, 2008 10:15 pm

Desde já, arigato gozaimasu a todos. ^^

@Maria: Coisa mais linda que leste até hoje? Fico feliz ! *-* Quanto ao teu spoiler, acho que podes deduzir por ti mesma. x3

@Fiby: Vou ver isso das mini-fics, sócia. :'D

@Winder: Tanta graxa (joking)! Obrigado pelos elogios, meu caro discipulo. xD

@Asuka: Adorei o teu "ta nice" e a tua assinatura tambem, mas tenho as minhas dúvidas que o Deidara seja um rapaz desu. '3'

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Patsurishia



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Dom Out 19, 2008 11:59 am

Uauu!
Ninakat, a fic está um espanto!
Mesmo muito bonita, eu adorei a maneira como escreveste a fic, está mesmo muito bonita!

Concordo com o Rasec, tens de continuar a escrever mais mini-fics. Acho que tens muito jeito para isso.
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ninakat



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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Sex Nov 07, 2008 11:00 pm

“Aisha”


“A nossa ilha é misteriosa.”

(…)

“Existem outras histórias, sobre outros grandes
deuses, de outros grandes feitos. Mas esta certamente é a mais louvável, que
tenho no coração desde que a minha memória me deixa recordar de mim própria.”


(…)

“O meu irmão pousava-me à beira do pequeno lago em
que os cisnes repousavam e ficávamos os dois quietos, sentados na terra húmida,
atentos aos movimentos sublimes daquelas graciosas criaturas. Permanecemos ali,
apreciando com o olhar, os longos pescoços, as grandes asas, o imaculado
branco, as posições exuberantes, os sons harmoniosos. Pertencíamos ao que nos
rodeava, éramos as plantas, éramos a terra, éramos os pequenos seres, éramos o
ar que inspirávamos profundamente, éramos a melodia quase inaudível dos bosques.”


(…)

“Os teus olhos são tão límpidos, parecem uma
miríade de cristais translúcidos, as cinzas de uma lua quase apagada. E o teu
cabelo? É tão negro e liso que parece os fios que o céu tece, noite após noite,
enquanto o mundo dorme.”


(…)

“O teu nome significa felicidade, não fujas dela.”

(…)

“O olhar dele sobre mim parecia ser de surpresa,
espanto, não sei. Só sei que em cada doirado daqueles olhos se via um
sentimento diferente. Sabia que aquele doirado era o reflexo de um Outono
passado, tempos de tristeza que agora dissipavam-se e a pouco e pouco
construía-se um oceano de estabilidade e harmonia, naqueles olhos de amálgama.
Tanta era a amálgama, que procurava nos meus uma resposta, mas nada mais
encontraria do que um pálido cinzento, as velhas teias de um sótão sem
mistérios, um mundo pintado de preto e branco que entrou em conflito. Eram isso
os meus olhos, uma guerra de preto e branco sem fim, nada de belo, nada de
fascinante.”


(…)

“De que
é feito o teu coração?”


(…)

“Zarc Dunn, ele é um homem mau.

Qual é o teu nome? O meu nome é Zarc Dunn.”

(…)

“E
depois? Depois apareceu tudo. Apareceu o lago e as suas águas calorosas.
Apareceu o cisne e as suas asas vistosas. Apareceu Zarc e os seus olhos
vaporosamente roxos. Não podia explicar ao certo o que via. Eram sempre aqueles
olhos, talvez fossem eles que provocavam aquele feitiço ou encantamento ou lá o
que fosse, fosse o que fosse, era extraordinariamente belo. Sublimes e ao mesmo
tempo vertiginosos. Um amanhecer e entardecer concisos, juntos eram uma certa
proximidade distante. E tudo ali era demasiadamente estético, como se de
propósito fosse parecer um sonho irreal, intencionalmente fugaz, para criar um
desejo.”


(…)

“Eles
acreditam que fui eu que a matei. Eu.”


(…)

“O
sangue que une os irmãos também os distancia.”


(…)

“Starwish?
Starwish.


O mundo
onde nasci. Os Irmãos. A Corrida. As Cadeiras Gémeas.”


(…)

“Eu… –
Murmurei, mas não me serviu de nada, ele agarrou-me a mão na mesma e fechou os
olhos, ainda o ouvi dizer: “Não temos tempo para hesitações!”


(…)

“Vamos
onde?


Vamos cumprir o desejo de uma estrela.

E a
resposta foi feita num gesto, num simples gesto de dar um passo.”


(…)

“Algo está a acontecer dentro
de mim, porque essas memórias, as da Terra, parecem estar encobertas por uma
espécie de névoa, cada vez mais difíceis de se recordar. E depois elas
apareceram, as imagens das minhas memórias, ficavam mudas pelo som da chuva,
pareciam que mesmo todas as que emanavam sorrisos, choravam ao som da chuva.
Choravam e tornavam-se enevoadas, como se estivessem a despedir-se de mim. Uma
por uma. Posso-me lembrar de tudo isso, mas o resto está a desaparecer, a névoa
vai crescendo, crescendo.”


(…)

“Até que um dia deixarei de ver o passado que percorri já cega, sem ver
onde pisei e onde poderia cair.”


(…)

“- A Mabel tinha um pai? Não me
lembro dele. Ela tinha um?


- Quem é a Mabel? – Perguntou
ele, confuso.


- Não
te lembras?


- Não.
– E a seguir riu-se, como se fosse algo divertido. Também me ri, mesmo que as
pessoas estivessem a desaparecer das nossas memórias, nós não desaparecíamos
das memórias de um e outro…”


(…)

“Deita-se
novamente e fecha os olhos enquanto deixa o resto do cigarro na sua boca,
fazendo com que as cinzas lhe caiam sobre a bochecha e não faz mais gesto
nenhum.”


(…)

“Era uma promessa, Zarc. Não me
esqueci, até hoje, como essas palavras me reconfortaram o coração. Uma simples promessa.”


Aisha.

_____________________________________________________

Se não perceberem nada, não se preocupem, é copy-paste de um texto meu de cinquenta e tal páginas que ainda não está acabado. Deixo-vos esta mini-tortura. xD

_________________


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MensagemAssunto: Re: Ninakat ©   Sab Nov 08, 2008 8:55 pm

Então e não tens nenhuma escrita adiantada ?
Ha algum tempo que não se vê nada.

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