Animais&Animes

Para quem é viciado em animes, e adora animais. Este é o teu sítio.
FórumFórum  ­PortalPortal  ­CalendárioCalendário  ­FAQFAQ  ­BuscarBuscar  ­Registrar-seRegistrar-se  ­GruposGrupos  ­LoginLogin  
Novo Tópico   Responder ao tópicoCompartilhe | 
 

 Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
Ir à página : 1, 2, 3  Seguinte
AutorMensagem
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 4:04 pm

Uma história REAL que acontece na FRENTE DOS VOSSOS OLHOS, e, só se apercebem quando já NÃO EXISTE SOLUÇÃO.

Não, não é ainda a fanfic de um anime qualquer, mas sim um original que é capaz de vos CHOCAR! Para mais quando eu disser que ESTÁ MESMO A ACONTECER, ou seja, é baseado em factos verídicos que eu própria confirmei com os meus olhos.
A Maggie (que não é deste forum) reconhecerá a história mas por motivos pessoais não vou dizer quem é, nem dar nomes verdadeiros nesta história. Quero apenas que se acharem preciso divulquem-na aos vossos conhecidos pois isto é REAL e acontece DIARIAMENTE.
Nota: Este caso da vida real está a acontecer neste momento, por isso eu sou apenas a "mensageira" para vos passar a história e como se trata de uma fanfic, alguns dos acontecimentos são base da minha imaginação que eu penso que estejam a acontecer e sejam o problema que esta pessoa tenta esconder.
Fiquem para ver.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 4:13 pm

"Ninguém Sabe"





Capitulo 1 – “Nobody Knows”



Procurei tanto para encontrar sempre a mesma resposta, sempre a mesma tristeza. Percorri caminhos áridos, labirintos descomunais, mares infernais para vir ter sempre ao mesmo cúbico sofucante.
Dizem que sou como as flores de lís, esguias e exuberantes, aquela atitude altiva e no entanto delicada, pacifica. No entanto não passo de um cadáver ambulante, à espera que algum milagre aconteça, à espera que notem a sua solidão, à espera que o vejam, que vejam o trapo caído no chão que espezinham, aproveitam e descartam logo a seguir. Por vezes, sou invisível...
(...) Vou fugir de casa. Na escola gozam comigo, sou a Liz-Estranha, até dizem que sou maluca, deficiente mental e outras coisas que me ferem por dentro, sinto-me como um corpo vivo mas sem alma, às vezes parece que me falta o ar, que não mais consigo viver. E quando chego a casa, pronta para chorar e gritar o mais que puder, libertar-me de todo este desespero, tu ralhas-me.
Em vez de me dares mimos, gritas aos meus ouvidos e ameaças-me, quem me dera que a mãe estivesse aqui, assim que ela se foi embora, isto tornou-se uma tortura ainda maior. Porque fazes isto comigo?!
Desculpa se erro e não sei remediar, desculpa se não sou perfeita e desculpa por te deixar.
Desculpa...

- O que é isso, Liz?! – gritou-me o Guilherme em plena aula de Inglês, assustei-me e ele aproveitou para me tirar a carta que estava a escrever, começou a passar a folha para a Jasmim, da mesa de trás. Ria-se estupidamente.
- Devolve-me isso! São coisas minhas. – implorei enquanto a Jasmim e a Daisy engoliam com os olhos arregalados as minhas palavras, sentia que elas estavam impressionadas. – Jasmim...
Foi então que o Guilherme entrou em acção novamente:
- És maluca, conforma-te com isso! M-A-L-U-C-A!
- Não sou. – ripostei.
Ele começou a empurrar o meu ombro, zangado. Empurrava repetidamente, enquanto gritava várias vezes: “Diz lá isso outra vez!”
- Guilherme! – gritou a professora de Inglês, salva a tempo. Agarrei a folha toda amachucada e guardei religiosamente no meu bolso.
Toda a turma concentrava a sua atenção em mim, ouvia risadas de gozo e outros mantinham-se bastante assustados, como se tivessem chocados comigo. E estavam, eu sabia disso, as mentes deles lá estavam a gritar a altos berros: É maluca! É maluca! Deviam-na de levar para o Ensino Especial!
Um dia, quando alguém ainda me ouvia, a Ana disse-me:
- Se tu tivesses de mudar de escola por seres diferente, então todos tinhamos de mudar de escola, todos nós somos diferentes, percebes? Um cadinho de gente.
Cheguei a casa.
Lá estava ele, sentado na cozinha a cortar pão e completar o seu lanche com fatias de um queijo mal-cheiroso. Assim que me viu, lançou-me um olhar mortífero e levantou-se rapidamente, nem sequer disse olá, perguntou-me logo mal fechei a porta de casa:
- Os teus testes? – olhava para baixo, já que era mais baixa do que ele.
- Trouxe o de Inglês. – respondi nervosa, já sabia que ia ouvir. – A professora disse que estava a melhorar. – acrescentei.
- Mostra! – vocirou, impaciente.
Tirei rapidamente o meu teste mostrei-o ao meu pai. Ele logo ralhou-me:
- Liza! Eu já te disse que não é para andares a brincar com a tua vida! Já te pago uma explicadora e mesmo assim melhoras a porcaria de três pontos?! Chamas a isto melhorar? Contínua a ser um teste negativo! Vais-me explicar os teus 7 pontos?!
- Desculpa. – pedi.
- Desculpa? É só isso que tens para dizer menina Liza? Estás a precisar de levar, é o que tu estás. Se me trouxeres mais alguma coisa má da escola juro que não te livras. Agora come o pão rápido e vai para a explicação.
Afinal o pão era para mim, vá lá, ainda se lembra de me fazer um pão. Peguei nas coisas caídas no chão e saí logo de casa, não queria ficar ali mais. Fui até à explicação, mas foi então que me lembrei que hoje era “aquele dia” da semana. Parei e olhei em volta, sentei-me à beirinha do passeio com uma criança e ocupei-me de comer o pão vagarosamente, não queria ir para a explicação tão depressa.
Acabei de comer o pão e olhei para o papel amachucado que tinha no meu bolso. Serei algum dia capaz de entregar-lhe as inúmeras cartas que escrevo? Um carro de motor barulhento aproximava-se de mim, assustei-me e deixei cair as minhas coisas todos no chão quando me levantei sobressaltada. Ouvi risadas.
- Eu não disse que ela ia assustar-se? É mesmo parva. – disse o Fábio para o Gonçalo, ambos da minha turma, o meu azar é eles morarem ao pé da explicação.
Comecei a apanhar as minhas coisas, veloz, tinha de sair dali o mais depressa possível.
- Ó Liz! – aproximaram-se de mim, não me restava alternativa senão enfrentá-los. – Não perdeste nada? – perguntavam num tom de gozo enquanto agitavam as minhas chaves de casa no ar.
- Devolvam-me isso! Párem com as brincadeiras! – pedi a gritar, estava a começar a ter um dos meus ataques nervosos.
Acho que eles assustaram-se, pois ficaram parados a olhar para mim sem saberem o que dizer, deitaram as chaves ao chão e começaram a correr para a casa deles, enquanto se riam e comentavam a minha reacção, de certeza que iam contar ao resto da minha turma para amanhã eu ser novamente o motivo de gozo.
Ao pensar nisto, o meu nervosismo não melhorou, o meu estômago retorcia-se de dor, o espamos começavam a vir e o sabor enjoativo a pão com queijo começava a vir até à minha boca. Tinha de vomitar. Não podia manter o meu lanche mais tempo comprimido dentro de mim, escondi-me num sítio em que ninguém me visse e vomitei a um canto do prédio.
Forcei o vómito, não aguentava mais a sensação desconfortável na minha barriga. Quando senti que não havia mais nada para deitar cá para fora, procurei lenços na minha mala e limpei a boca, respirei fundo e recompus-me.
Toquei à campainha da explicação e abriram-me a porta, mal vi a Claúdia, a minha explicadora, ela entrou na sala de computadores e disse para esperar pois estava a ajudar o Tiago a acabar um trabalho.
Entrei na sala do costume e sentei-me a uma mesa. Comecei a ouvir os “barulhos do costume”. Ouvia objectos a caírem no chão, as respirações ofegantes deles os dois e os gemidos que se tornavam em gritos de prazer da Claúdia, tapei os ouvidos, mas continuei a ouvi-los cada vez mais alto. Gritavam na minha cabeça, não aguentava mais aquela tortura, tinha de me distrair, fazer algo. Não os queria ouvir!
Comecei a pegar em tudo o que via papeis, canetas, escrevia coisas sem nexo. Rasgava papeis, remexia a minha mala, espalhava os meus livros pela mesa, até que o gritos pararam. Sentei-me rapidamente na minha cadeira e vi os dois aparecerem à porta e olharem espantados para a minha revolta na sala. O Tiago apertava o casaco dele e a Claúdia tinha o cabelo despenteado, tive vontade de me rir e ri-me mesmo.
- Estás à procura de alguma coisa, Liz? – perguntou ela, olhando-me cautelosamente.
- Fita-cola. – respondi quase automaticamente.
A Claúdia pegava na fita-cola mesmo à minha vista e deu-ma, enquanto o Tiago tentava pôr alguma ordem na sala, às Segundas-feiras eramos só nós os três, eu não aguentava ouvi-los, ainda por cima porque sei que é o Tiago, o único rapaz que não me trata mal à face da Terra. Ele perguntou-me:
- Do que te estás a rir, Liz? – olhou-me com os seus profundos olhos azuis e a sua voz doce, como eu sei que tantas raparigas gostavam de ouvir aquela voz reconfortante se dirigir a elas, isso deixava-me feliz.
Não ia responder que me ria do cabelo despenteado da Claúdia, mas respondi, estranha:
- De nada, coisas minhas. – arrependi-me logo a seguir, já sabia que ele ia pensar que era maluca por me rir sozinha ou que estava a gozar com ele, tratei de concentrar a minha atenção no meu caderno de Matemática e não dizer mais nada.
- Hoje vou explicar aos dois em conjunto a matéria, já que esta matéria é do ano da Liz e o Tiago está a fazer revisão dela na escola, certo? – disse ela, sentando-se na mesma mesa que nós.
Senti-me um pouco triste. Desta vez o Tiago ia estar demasiado ocupado a perceber a matéria do que a ajudar-me naquelas coisas que ele já sabia. Não ia chegar-se bem perto de mim e pegar na minha e escrever com ela todas aquelas equações que nunca cheguei a perceber por estar demasiado concentrada no perfume que a pele dele emanava.
A Claúdia começou a explicar e tomámos os dois atenção, mas quando chegou a parte de fazer os exercicios, as minhas deduções estavam erradas. O Tiago não me ligava nenhuma sim, mas não era por estar concentrado no seu caderno, mas por estar a trocar carinhas com a Claúdia, isso desconcentrava-me. A Claúdia era magra e bonita, apesar de ser mais velha, o Tiago só lhe ligava a ela.
Então, ele passou a língua no piercing que tinha no lábio, eu segui esse gesto completamente viciada, era quase impossível olhar e não ter vontade de provar os lábios carnudos dele. Infelizmente, esse gesto não era para mim. Era para a Claúdia.
Ela podia ser muito bonita, mas a forma com ela corria todos os rapazes da explicação enojava-me. À Segunda era o Tiago e á Terça era outro, sempre assim, o mais grave é que ela era a explicadora.
Ainda dizem que eu é que sou a maluca se chamam a isso ser normal.
Eles faziam-no indiscretamente, pensam que sou louca e não percebo, mas a mim parece-me demasiado óbvio. Já eram dezoito e meia, estava na hora de ir embora. Comecei a arrumar as minhas coisas e quando preparava-me para ir embora, alguém agarrou o meu braço, era o Tiago.
Senti que corava muito, ela estava sorrir-me e eu perguntei nervosa:
- Sim?
- Vê lá quando chegares a casa o que tens no sapato que ele está sujo. – disse-me ele, pegando nas coisas dela e saindo à minha frente.
Olhei repentinamente para o meu sapato e reparei que tinha fezes de cão, enquanto estava a ver isso, ele ainda voltou-se para trás e disse:
- Adeus, Liz.
Morri de vergonha. Apetecia-me chorar, se calhar estava a exagerar mas não me contive, desatei a correr, passando por ele, que ficou a olhar para mim, embasbacado.
Tenho de correr! Correr, correr! Comecei a chorar por ser tão parva, talvez tivessem razão, eu sou mesmo maluca. Entrei em casa de rompante, descalcei os sapatos no hall de entrada e fui até ao meu quarto, fechei a porta e agarrei-me a um dos inúmeros peluches que estavam em cima da minha cama. Ainda ouvi o meu pai a gritar lá de fora, mas nada importava, estava a afogar-me em mim própria e não sabia como salvar-me.
Ninguém sabe o que eu sinto, ninguém...

-----------------------------------------------------------------------

Desculpem o erros, o meu word nao tem correcção automatica e as vezes escapa algumas coisas =/
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Maria
Moderadora


Feminino
Número de Mensagens: 1491
Idade: 19
Data de inscrição: 02/09/2007

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 4:28 pm

Ninakat, omg, tá linda. *-*
E ainda por cima por a história ser verdadeira... *.*
Posta mais Ninakat! 8D
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Rasec



Masculino
Número de Mensagens: 916
Idade: 24
Data de inscrição: 18/02/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 4:29 pm

Gostei, está uma fic bem interresante e diferente do costume.
Posta o seguinte se faz favor.

_________________

Love is Auto-Suicide © Rasec and Annie lda. inc. etc.
(Will all the bad stuff we go trough to have the love of the person we love stop one day?
And then we can have peace in our hearth and have her love?
Who knows but it's time to finally know it.)
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 5:27 pm

Capitulo 2 – “Personne Ne le Sait”


- A Liz não vem às aulas? – perguntou a Daisy para a Jasmim, conseguia ouvir o cochichar delas de onde estava.

- Não sei. Ela ultimamente anda mais estranha do que o costume. – respondeu a Jasmim, fazendo aquela expressão de “estás-me a fazer uma pergunta chata”.

Seria eu tão invisível? Estava a uns dez metros de distância delas e mesmo assim permanecia invisível? Aproximei-me delas o mais imperceptível que pude, mas logo deram por mim. Um fracasso da minha parte, não me apetecia ver ninguém!

- Liz! Estás aí! – chamou a Ana, fazendo sempre aqueles barulhos estranhos mas bem-dispostos dela.

- Olá, meninas. – cumprimentei o mais “normal” que pude, cheguei a um ponto que até medo de falar já tinha. – Tudo bem?

- Olha Liz, disseram-nos que ontem berraste no meio da rua do nada e ficaram todos a olhar para ti. – confrontou a Daisy.

Uau! Que proporções os acontecimentos de ontem já tinham tomado! Então agora por uma pessoa se defender de uns colegas estúpidos e ignorantes, já gritava por “nada” no meio da rua e ficavam “todos” a olhar senão estava lá ninguém senão eles?

- Eu?! – estava alterada. – Não foi nada disso.

- Não venhas com tretas, Liz. Sabes muito bem que às vezes tens reacções que não se percebem. Pelo menos dizias a verdade! Deste em mentirosa, foi? Sinceramente... Uma pessoa aqui a querer ajudar-te e tu ainda nos vens apunhalar pelas costas! – discursou a Ana, apontando o dedo indicar bem esticado e a abanar de um lado para o outro, ou não, vontade de rir outra vez!

Quase não conseguia conter o riso mas parece que a Jasmim tem um sentido de oportunidade apurado:

- Que dramática, Luni! Nem sei como tens três a Teatro.

Todos se riram. A Ana ou Luni (alcunha dada pela Jasmim, qualquer coisa como Lua, devido às variações de humor da Ana associadas às várias fases da Lua.) olhou para mim em tom de repreensão, como que, eu lhe tivesse quase dado algum desgosto que a deixasse desapontada. Que lhe fiz eu agora? Posso estar a ser má, mas se ela não quer problemas, então não se meta na minha vida, como quase todos optam por fazer, simplesmente ignorando-me, estou melhor assim, estou habituada...

Começaram a conversar sobre Teatro, a nossa actividade extracurricular. Ao princípio costumava ser uma boa aluna até, mas acho que aquilo que chama de “expressão” foi-me privado de todo, agora são horas monótonas em que as palavras estridentes da professora se fundem com os meus pensamentos longínquos daquele lugar e levam-me para outro mundo, em que ninguém me incomoda e tudo parece ser perfeito. O problema é o parecer, pois quando volto à realidade cruel, tudo se desmorona em cinzas inúteis, como eu.

Finalmente o suplício tinha finalizado, o toque de entrada já gritava em todos os pavilhões. A meio das escadas o meu estômago começou a revoltar-se dentro de mim, percebi a mensagem, apesar de ela ser dolorosa. Quando estava a entrar na sala para ter Biologia, comecei a lembrar-me do meu substancial pequeno-almoço, duas fatias de bolo de chocolate e para não melhorar, mais um caneca de chocolate quente. Começava a ficar preocupada, chocolate a mais, não? A aula de Biologia começou, lá começou a professora com os enormes caracóis a explicar novamente a matéria das células não-sei-quantas.

Mesmo na minha mesa de fundo, o Bernado insistia em continuar a chatear-me. Numa das suas contínuas pausas para descanso virou-se para trás e disse-me, num desplante:

- Liz, és bonita. – quando me falou aquilo, até parecia que o meu pequeno-almoço caía melhor, primeiro corei que nem um tomate e depois sorri-lhe, a única coisa que conseguia gesticular eram as minhas mãos nervosas a agitaram-se por baixo da mesa. – Estava-te a perguntar, idiota! Queria ver se eras tão estúpida ao ponto de responderes que sim.

O meu sorriso parvo logo se desmanchou, onde eu estava com a cabeça para achar que o Bernado estava realmente a elogiar-me. Arrogante, ainda fez questão de acrescentar:

- Tu és estúpida e estranha! Primeiro era uma trinca-espinhas que até metia dó e agora tens rabo que apareceu sei lá eu de onde! Gorda!

Gorda? Eu?! Não! Não posso mais! Tenho de deitar o meu pequeno-almoço cá para fora, imediatamente. Levantei o braço e pedi atrapalhada para ir à casa-de-banho e esta concedeu-me a licença. Quase a correr, fui até ao polivalente, ainda consegui ouvir vozes na sala:

- A Natacha? – perguntou a professora.

- Não sei, professora. Ela antes da entrada estava cá mas depois não a vi mais. – respondeu alguém.

Quando queria, até conseguia ser rápida. Dei por mim debruçada no lavatório da casa-de-banho, tinha de ser ali, não aguentava nem mais um passo, também estavam todos em aulas, não havia mal. Levei os meus dedos até à minha boca e por momentos parecia que ia morrer. De vez em quando até saía sozinho, mas hoje era terrivelmente forçado, aos bocadinhos custava menos, apesar de ser demorado. A minha sessão foi interrompida por um barulho vindo da porta, não queria acreditar no que via, era demasiado perturbador, até o vómito sumiu de todo.

Lá estava a Natacha, lavada em lágrimas, toda arranhada nos braços e via-se que as suas roupas tinham sido arrancadas à força ou puxadas por alguém, pois deixava à espreita metade o seu peito e as calças ainda estavam desabotoadas. Apesar das minhas condições fiquei chocada com a situação dela, mas acho que ela também ficou chocada com o que eu estava a fazer. Eu limpei-me à pressa e puxei-a para dentro, para que ninguém a visse, passei-lhe alguns lenços que tirei do meu bolso e sentei-me no chão ao lado dela, silenciosa e atenta, esperava uma explicação.

- Não contes a ninguém, está bem? Fica um segredo só de nós as duas e eu também não conto a ninguém o teu segredo. – propôs ela numa voz tão frágil que aquilo nem parecia a chantagem que era, acenei que sim com a cabeça e continuei a olhá-la atenta, como uma criança curiosa.

- És uma querida... – notei que ela ficou atrapalhada ao não se lembrar do meu nome apesar de ser da mesma turma que eu, estava habituada a esse tipo de desprezo.

- Liza. – informei. – Mas posso ser a Liz, como tu quiseres, não obrigo a nada. Estava atrapalhada, sim. Mas também não queria que a rapariga mais bonita da escola e popular me achasse uma miúda irritante.

Ela assentiu com um sorriso e recompôs-se, parecendo novamente a modelo triunfante de outrora. Saiu assim do nada e fiquei eu novamente sozinha naquela casa-de-banho mal cheirosa. Violaram-na, a ela, pelo menos a mim não me tocava esse problema, era demasiado feia para olharem para mim e sentiram aquele “desejo”.

- Vocês sabem o que se passa com a Liza? Ela tem vindo a piorar, não acham?
- inquiriu a professora de Biologia à turma, ouvia atentamente a conversa atrás da porta.

- Ó professora, não ligue! É a Liz e chega. – disse o Bernado.

- Não é isso, é que ainda agora, ela estava a ficar verde, não estou a exagerar, estava mesmo assim com uma coloração esverdeada, estava quase a perguntar-lhe se precisa de alguma coisa, mas ela pediu para ir á casa-de-banho. Estava mesmo verde!

- É a fotossíntese, professora. – alguém lançou a piada que causou a risada geral, aproveitei para entrar e fingir que não tinha ouvido nada.

O silêncio impôs-se e conseguia sentir os olhares pesarem sobre mim, se por vezes queixava-me da solidão, por outras ser o centro das atenções assustava-me. Sentei-me de novo no meu lugar e acorri ao meu mundo imaginário para me distrair, em vão. Os meus pensamentos recaiam sobre o que tinha visto na casa-de-banho, só conseguia pensar nisso, havia algo que agora ligava-me a ela, algo que ela subestimava, nem sequer sabe que existe. Não estou a falar do nosso segredo, mas dos nossos sentimentos...

Havia uma espécie de ligação invisível entre nós, eu sabia o que ela ia começar a sentir a partir de agora, era um vazio dentro dela e se alguma vez ela quiser preenche-lo, este vai ocupar-se apenas do homem nojento que a violou.

Um vazio sufocante, alguma vez o sentiram? A vossa cabeça explode de emoções, o ar desaparece, as pernas ficam fracas, o nosso coração desacelera o ritmo, deixamos de ver o que está a nossa volta e o nosso corpo é deixado cair no precipício sem fim, sentem arrepios. Pensam que morreram? Não. São apenas os vossos medos a tomarem conta de vocês, nas noites mal passadas, embrulhados em lençóis imaculadamente brancos. Até parecem anjos, mas é mentira, naqueles momentos são meros vermes expostos aos medos.

Eu já senti isso, eu já senti o medo.

Alguma vez sentiram o medo...?

Dei por mim novamente a escrever uma carta, não sei bem dirigida a quem, ou simplesmente quero ignorar que sei. A aula estava quase no fim...

Violaram a Natacha.

O seu corpo inerte mas ferido, caiu imediatamente no chão, quando lhe dirigi o meu olhar admirado. Consegues imaginar como ela se sente? Claro que não! Não consegues imaginar uma coisa que nem por momentos quiseste saber...

Fui-me embora, para longe de ti.

Consegues agora senti-lo? Consegues agora perceber a Natacha?

Consegues agora... perceber-me?

(...)


Caminhava para a explicação, ia directamente para lá, sabia que hoje a Cláudia podia estar enrolada com alguém, mas não era com o Tiago, ele chegava mais tarde. Lia repetidamente a minha carta, não sei porquê. Então, alguém tirou o papel bruscamente das minhas mãos, conhecia aquele gesto, era o Guilherme outra vez, o pior é que não era só ele, o Fábio e o Gonçalo também estavam lá para ajudar à festa. Por momentos, fiquei com a esperança de a Jasmim e as outras que apareciam no fundo da rua me pudessem ajudar, mas onde estava eu com a cabeça, mal viram o Guilherme começar a empurrar-me, viraram e foram por outro caminho.

- Quem é esta Natacha?! Não é aquela da nossa turma pois não? – perguntava-me inúmeras vezes, mas eu não respondia, era demasiado perigoso dizer algo, naquela altura.

Desta vez o Fábio e o Gonçalo não faziam nada, limitavam-se a olhar e rir, o Guilherme já estava a partir para a agressão, sabia que eles não queriam problemas. Houve pessoas que paravam e ficavam a olhar e foram-se logo embora quando o Guilherme me deu uma chapada e esfregou-me o papel na cara.

- Não andes para aí a inventar mentiras! Ainda por cima da Natacha! Tu sabes com quem te estás a meter? Levas um excerto de porrada dela, que nunca mais escreves dessas cartinhas estúpidas!

Tinha os olhos húmidos, mas não chorei, pela primeira vez consegui conter-me. Fui para a explicação e lá estava a Cláudia enrolada com outro tipo qualquer, mas hoje foi mais discreta, porque éramos muitos à Terça, à volta de uns seis a contar com o Tiago.
Os minutos passaram, até horas e ele não chegava, acabou a explicação e ele não veio. Fui-me embora, triste. Se ao menos ele tivesse vindo, poderia tirar algo de positivo neste dia. Ouvi uma voz doce chamar por mim, era ele, tinha a certeza. Virei-me sorridente.

Nada.

Atrás de mim apenas existia uma rua deserta e cinzenta, deprimente, algo que só os olhos cianos dele poderiam tornar belo. Estava a começar a ter alucinações. À porta de minha casa, lá estava ele outra vez, seria uma alucinação? Quando cheguei perto dele e belisquei o braço dele, a alucinação reagiu, era real! Não estava a acreditar!

Ele estrebuchou por lhe ter beliscado o braço e depois ao perceber a pergunta que ia fazer a seguir, adiantou-se:

- Não sei se sabes mas eu andava com a Cláudia, mas já não ando, acabei com ela, ontem à noite. – fez uma pausa e olhou para mim, à espera da minha admiração. Fingi estar muito admirada, apesar de já saber que eles andavam, até acho que exagerei, mas chegou para ele prosseguir. – Por isso é que hoje não fui à explicação, nem sei se vou mais.

Fiquei triste. “Nem sei se vou mais.” Era demasiado doloroso para se ouvir vindo da boca dele. Deixei-o continuar, iria chorar depois...

- Eu conheci uma miúda, ela disse que era do 11ºC, e lembrei-me que essa era a tua turma, não é? - parecia que naquela tarde estava destinada a mudar de estado de espírito de 5 em 5 minutos, eu lembrou-se de qual é a minha turma! – É a Natacha.

Passei de super feliz para super chocada, ele... Ele gosta da Natacha?! Os meus sentimentos de compreensão para com a Natacha tornaram-se inveja numa fracção de segundos, ela e o Tiago...? Tinha a esperança que pelo o que lhe acontecera recentemente, ela não estivesse receptível a qualquer um, mas o Tiago não era qualquer um, era o Tiago! E só por isso deviam-lhe fazer uma estátua em que estive só de calções e rezassem perante a estátua. Corei com os meus pensamentos.

O Tiago ao ver que não dizia nada e pela impaciência que o tomara, apressou-se:

- Tens o número dela?

- Não, desculpa. Não tenho. Ela é da minha turma sim, mas digamos que não sou a pessoa mais interessante para ela me dar o número.

Senti uma ponta de desilusão no rosto dele, mas surpreendentemente ele acariciou o meu cabelo e disse risonho:

- Não fales assim, que até parece que ninguém te liga nenhuma.

Fiquei tão fascinada no toque da mão dele na minha pele que nem notei ele ir-se embora, subi até casa, parecia que estava a sonhar, mas a voz grossa do meu pai acordou-me do transe:
- Quem era aquele rapaz, Liza? – perguntou voraz.

- Ninguém. – respondi friamente, não queria que ele estragasse o meu momento de felicidade.

Tarde demais. A minha felicidade acabou quando senti a mão pesada dele na minha cara e o sangue escorreu pelo nariz.

A felicidade é momentânea, a dor persiste até na felicidade...

----------------------------------------------------------

Mais um cap (na minha opiniao + fraco que o 1º mas pronto)

E vocês... sentem o medo?

xDDDDDDDDDDD


Última edição por ninakat dia Seg Ago 18, 2008 10:18 pm, editado 1 vezes
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Rasec



Masculino
Número de Mensagens: 916
Idade: 24
Data de inscrição: 18/02/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 7:06 pm

Aqui vai a minha opinião deste capitulo.
Em termos estéticos está mais agradável e nota-se logo menos uns erros que no primeiro e passando para a parte que interessa, não acho mais fraco que o primeiro até gostei mais dos pormenores e certas frases deste.

A cena da miúda "violada" no wc, não sei se é parte real ou não mas tocou-me bastante porque algo parecido ia acontecendo a uma colega minha mas felizmente graças ao facto que de vez em quando ia para o lugar mais escondido da escola para relaxar e estar sozinho apareci mesmo na hora H e como ele não queria ir embora a bem acabou por ser mais um gajo que mandei para o hospital. Também tive que ir mas não fiquei lá tanto tempo como ele.

Mas sabe-se lá o que lhe poderia ter acontecido caso não tivesse aparecido. Gosto desta fic porque todos nós já sofremos na escola, não ao nível do que escreves na fic espero mas a escola pode muito bem ser um sitio horrível.

Ainda bem que já estou na faculdade porque lá parece um paraíso. Toda a gente conhece-se e entreajuda-se.

Está uma fic deveras interessante só não sei se algum dia a poderás acabar já que como te baseias em factos reais é um pouco difícil mas espero que o faças.

_________________

Love is Auto-Suicide © Rasec and Annie lda. inc. etc.
(Will all the bad stuff we go trough to have the love of the person we love stop one day?
And then we can have peace in our hearth and have her love?
Who knows but it's time to finally know it.)
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Maria
Moderadora


Feminino
Número de Mensagens: 1491
Idade: 19
Data de inscrição: 02/09/2007

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 10:19 pm

Já nem sei o que dizer. xD Este capitulo tá lindo. *-*
Mais, please. :3
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Seg Ago 18, 2008 11:52 pm

Arigato, Maria =3
E bato palmas ao Rasec pelo aquilo que fez :3 Nós sabemos que certas coisas acontecem, mas é sempre um choque presencia-las ou estar numa situação dessas, e por melhor que se escreva (que não é o caso xD), não existem palavras suficientes para descrever tais coisas, nem sei falar delas tão bem como alguém que tenha passado por elas.

_________________


Ninakat ©
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Fiby.chan



Feminino
Número de Mensagens: 510
Idade: 15
Data de inscrição: 28/09/2007

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Qua Ago 20, 2008 2:50 pm

Adorei. Simplesmente Adorei. E identifico-me imenso com a Liz por algum motivo. Talvez pelo facto de também eu me sentir muitas vezes "ignorada" e "transparente". E tenho de tentar ser alguém que não sou para ser aceitada, muitas vezes. Mas com uma turma como a minha não é fácil. x3 Ninguém se entreajuda. Apunhalam-se uns aos outros. Enfim.

Quero mais menina Ninakat *-* E mal posso esperar pelo proximo capitulo.

E bato palmas ao Rasec também :3 Acho que foste exelente. (E fizes-te bem em mandar o tipo para o hospital, já agora ;P)

_________________



Assinatura by Miki. Arigatou minha gemea<3
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Qua Ago 20, 2008 8:07 pm

Arigato Fiby =3 É normal que se identifiquem com a Liz, afinal ela um pouco de todos nós. Quando se cria grupinhos dentro das turmas, é do pior =/

_________________


Ninakat ©
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Miki
Administradora


Feminino
Número de Mensagens: 1789
Idade: 17
Data de inscrição: 24/08/2007

RPG
Nome: Shiroi Tsuki
Idade: 16 anos
Objectivo na Vida: Encontrar o seu Pai.

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Qui Ago 21, 2008 5:25 pm

Adoro ! Esta é decididamente uma das tuas melhores Fic's.

_________________


Yo, big people ~
Let's travel together to a new world
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Sex Ago 22, 2008 4:46 pm

Capitulo 3 – “Niemand Weiss”


Parece que o tormento volta dia após dia, repetidamente, como um ciclo vicioso. Ele começa, contínua, acaba; e no dia seguinte volta a começar, continuar e a acabar... Não tem fim.

O meu pai já me bateu tantas vezes, que aquela seria insignificante, enganei-me. Desta vez ele não se arrependeu, não me olhou penoso e pediu desculpa, limitou-se a falar-me rude e altivo, sentia nojo dele.

Estou trancada no meu quarto, rodeada por estas paredes irritantemente cor-de-rosa, estes peluches exageradamente fofos, as minhas roupas demasiado estúpidas, este chão terrivelmente frio. Estou rodeada de mim própria, do meu eu estúpido e monótono, odioso e insignificante. Olho da janela do meu quarto, consigo vislumbrar o céu escuro e as estrelas brilhantes, mas não consigo encontrar a resposta, porque ele não me vinha salvar como nas histórias de contos-de-fadas? Porque eu não era uma heroína com poderes inigualáveis, prestes a escapar do cativeiro? Porque eu não era uma menina corajosa, capaz de saltar da janela e sair ilesa? Porque ele não me chamava lá de baixo, da sinistra rua e, dizia “eu amo-te” com um sorriso nos lábios?

Porque eu tenho medo?! Porque ninguém ouve a minha alta grita?! Porquê?!

Gritei.

A minha mente não aguentava mais, ia explodir. Gritei às quatro da manhã, no meu quarto isolado do mundo, gritei entre aquelas quatro paredes, o espaço tornava-se demasiado pequeno para a minha fúria, tentei abrir a porta mas nada aconteceu. Nada.

Atirei o meu corpo contra a madeira da porta, uma e outra vez, arranhei a madeira, dei pontapés, rasguei as minhas próprias roupas com o desespero, sentia-me asfixiada ali dentro, sentia que me faltava o ar, sentia que algum tipo de fantasma me apertava o corpo, com intenção de o despedaçar. Agarrei nas canetas da minha secretária e espetei-as na porta, sem sucesso. Continuava a insistir, até magoar os meus próprios dedos, as minha mãos alagaram-se de sangue, bradei outra vez, mas desta, até os meus próprios ouvidos se queixaram e caí quase nua no chão, as minhas mãos manchavam a minha pele branca, estava pintada de sangue.

Com os olhos ainda entreabertos, vi a porta abrir-se finalmente, avistei o vulto do meu pai, não sabia a expressão dele, logo fechou calmamente a porta, com ironia. Não sei se o fazia de propósito. Quando ela se abriu não pude mais detê-la e sair também, limitei-me a ver a minha liberdade ir-se do nada.

Não me movi, fiquei ali, a debater-me no chão...

Os raios abrasadores do sol não tardaram a despertar-me, conseguia aperceber-me que um lindo dia aguardava-me lá fora, infelizmente, estava encurralada no meu quarto. Que horas seriam? Estava atrasada para a escola? Vozes familiares embargaram as minhas suposições e fizeram-me correr para a janela. O sol encadeava-me, mas não o suficiente para ver o Tiago e a Natasha juntos, a irem para a escola. Como era possível? Ainda ontem ele... Que dia era hoje?

No entanto, continuei a observá-los. O Tiago estava sorridente para ela e ela retribuía-lhe o sorriso, depois... Depois deram um beijo. Um beijo longo e apaixonado, que não conseguia continuar a assistir, voltei à realidade do meu quarto e chorei, chorei muito, não sei durante quanto tempo, mas o tempo suficiente para o meu pai sair de casa, isso alertou-me e fez cessar o meu choro contínuo. Onde ele teria ido? Trabalhar? Sem muitas esperanças, rodei a manivela da porta. Para minha surpresa esta abriu-se facilmente, não estava trancada.

Andei fantasmagoricamente pelo corredor da casa até à cozinha, onde a televisão continuava acesa, o diário das nove estava começar, então eram nove da manhã. Escutei atenta a senhora bem arranjada e com um sorriso contagiante:

- “Bom-dia. Este é o Diário das Nove e hoje é Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008.” – arregalei os olhos ao saber em que dia estava, catorze?! Passei um dia praticamente inconsciente e trancada naquele quarto?! – “Espero que o Dia de São Valentim lhe tenha começado bem.” – continuou a locutora.

Pois é... Hoje é Dia dos Namorados... Lembrei-me logo de à pouco, da Natasha e o Tiago a beijaram-se. Um dia a seguir a ele ter-me falado, ele deve ter falado com ela. Foi rápido e ela também. Parece que ser violada neste mundo já não é nada de especial, é algo normal, normalíssimo, eu é que sou maluca e dou muita importância a estas coisas.

Eu sou uma louca...

Uma louca.

Louca!

Louca. Louca, louca, louca, louca, louca, louca, louca...!

Ia explodir novamente. Não tinha nada para agredir, nada para odiar mais que tudo, sentia raiva de mim própria, sentia que só podia perdoar-me sentindo a dor, a tristeza que causo aos outros, o ódio que gero.

Puxei os meus cabelos com força, com intenção de arrancá-los, puxei com mais força ainda, até ver emaranhados de cabelos pretos na minhas mãos, até sentir-me completamente aliviada, infelizmente o cabelo não chegava. As mãos começaram-me a arder, e lembrei-me das feridas que fizera naquela noite. Olhei-as com atenção e não resisti a espremer as feridas uma a uma, à espera que o sangue escorresse novamente pela minha pele, depressa o lavatório da cozinha ficava pintalgado de sangue.

As horas passaram, esperava quieta com uma boneca de porcelana. Pálida o suficiente para sentir o próprio gelo da minha pele, de olhos brilhantes e esbugalhados, paralisados no nada, e, no entanto davam a sensação de estarem assombrosamente prestes a moverem-se. Esta imagem tão suprema e absoluta, com uma pitada de assombro, era apenas uma aparência, estava tão frágil que se me tocassem podia desfazer.

Aparências.

Enganam-se quando falam de ser ou não ser. Não são elas que nos fazem humanos, são elas que nos fazem monstros...

Aparências.

Enganam-se quando falam de aspectos. Não são elas que nos fazem sublimes inocentes, são elas que cultivam a falsidade.

Aparências.

Enganei-me quando falava de sentimentos. Elas não são a nossa opinião para com tal pessoa, são a nossa autoconfiança a falar demasiado alto.

Tudo é aparente, tudo leva mais areia que cimento...

Isso é verdade. As coisas nunca são o que parecem, ninguém sabe o que sinto, ninguém...

Três da tarde. Esperava à porta da minha casa por alguém que acabou por aparecer, lá do fundo da rua, bailando sobre a sua harmoniosa beleza. A Natasha vinha lá do fundo e parecia já me ter visto, pois sorria-me simpaticamente, não partilhava os mesmos sentimentos para com ela. Hoje sentia-me sem medo. Dizem que o amor é cego, começava a concordar com isso, pois o meu amor para com o Tiago não olhava a amizades.

Ela é que me cumprimentou primeiro e tudo, vejam só a descarada! Falsa!

- Olá, Liz. Não tens ido à escola. Estás bem?

- Não fales comigo! – gritei, tapando os ouvidos.

- Liz, o que foi? Que se passou? – perguntou ela, tocando-me no braço. Desviei-o imediatamente, não queria que aquela coisa me tocasse. Não queria sentir a contínua falsidade dela abater-se sobre mim!

- Como foste capaz de me trair, eu pensava que eras minha amiga! Que eras das poucas pessoas que me podia compreender, a única pessoa com quem eu podia partilhar um segredo!

- Mas o que eu fiz?!

- Não finjas que não sabes! Eu vi-te, tu e o Tiago... – confrontei-a com a recente relação dela.

Ela fez uma expressão chocada e angustiada que não cheguei a perceber, as palavras seguintes dela, tão assustadoras, uma confissão esmagadora para conseguir aceitá-la, sei que não estava a mentir quando ela disso aquilo...

- Oh Liz, não acredito que tu percebeste! Por favor não contes a ninguém que foi ele que me violou, por favor! – chorou ela nos meus braços.

O Tiago? Ele violou a Natasha? Como?

Tudo é aparente, tudo leva mais areia que cimento...
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Tita
Moderadora


Feminino
Número de Mensagens: 1611
Idade: 16
Data de inscrição: 02/10/2007

RPG
Nome: Blood Yoru
Idade: 18
Objectivo na Vida: Matar o pai.

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Sex Ago 22, 2008 9:18 pm

Omg , A tua fic arrepia-me!
A Liz só identifica comigo numa parte,mas consigo sentir os sentimentos "dela" como se fossem meus.
Tá linda mesmo.
Gosh,tá perfeita ...
Acho que ja entendes-te,as palavras esgotaram-se ...
Lool
Badalhoco do Tiago!
Kiss

_________________




Danke Verdes ^^
Xalálálá ...



Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://hi5.com/friend/profile/displaySameProfile.do?userid=106030139
ninakat



Número de Mensagens: 71
Idade: 15
Data de inscrição: 19/04/2008

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Sab Ago 23, 2008 12:16 am

Pois é normal que te identifiques numa certa "parte" com ela, como já disse, ela é uma mistura de vários problemas, dúvidas, receios da vida de um adolescente. :3
Ainda bem que gostaste. ^^

_________________


Ninakat ©
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Maria
Moderadora


Feminino
Número de Mensagens: 1491
Idade: 19
Data de inscrição: 02/09/2007

MensagemAssunto: Re: Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"   Sab Ago 23, 2008 3:22 pm

Este capítulo... *-*
E de ter sido o Tiago a violar a Natacha o_o Dessa não tava á espera. xD

Continua, please!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
 

Original Ninakat Fanfic - "Ninguém Sabe"

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 3Ir à página : 1, 2, 3  Seguinte

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Animais&Animes :: Quadro Anime :: Fic's & Fanart's-
Novo Tópico   Responder ao tópico